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"Eu já pensei em tanta coisa para escrever, já escrevi tanta coisa sem pensar, mas, só agora consigo imaginar a dimensão do incondicional valor que carrego dentro de mim."

(Maurício Ribeiro Marques)

30 novembro 2009

Sapatinho de Cristal

- Mãe, Mãe! Eram os gritos que se ouvia a poucos metros do lugar onde eu estava. – Olha! Dizia a menina profundamente entediada por ter perdido um par do seu lindo sapatinho. Por instantes, toda aquela maravilhosa produção do belo conjunto, que possivelmente fora escolhido para mais uma daquelas importantes festinhas de criança, havia se quebrado. – Vai lá e pega. Foi o que respondeu a sua mãe num tom risonho. No fundo, ela parecia querer dizer: será que precisava de tudo isso filhinha? Certamente, seria mais fácil apenas dizer: mãe, espera um pouco, vou ali pegar o sapatinho que perdi.
Da porta, eu ouvia pequenos murmurinhos da criança, era quase um choro. Ela fitava os seus olhos em sua mãe, esperando provavelmente alguma ajuda. Logo que saí, fui me aproximando ainda mais da jovenzinha; consequentemente, eu pude ver melhor o seu olhar como de espanto. Sem demora, eu me abaixei e tomei seu sapatinho em minhas mãos; quando me aproximei definitivamente dela, coloquei o sapatinho próximo do seu pé.
Diante dessa situação, eu percebi que a maior preocupação daquela garotinha era por o outro pé descalço no chão. Preocupação que acabara no memento em que coloquei o sapatinho ao alcance do seu pé; logo, um maravilhoso sorriso brotou em sua face. Foi lindo, quase impossível de descrever o momento em que ela saiu com imensa alegria ao encontro da sua mãe, que lhe esperava a poucos metros dali.
Entretanto, chego à singela conclusão de que no mundo existem milhares de pessoas frágeis como essa garotinha, que mal conseguem por os pés no chão, seja, por terem passado por imensas tragédias na vida, ou até mesmo a perca de um simples sapatinho. Tornar a dar um pequeno passo, superando-se diante dessas situações, tornou-se uma tarefa árdua e muito pesada para essas crianças de diferentes idades. Porém, modestos gestos de humildade e simplicidade ajudam e muito essas pessoas a superar qualquer situação.
Quem sabe, depois desta crônica eu não seja convidado para participar de uma nova campanha: “estenda a mão, seja solidário”. Mas, se acaso ocorrer dessa proposta ficar somente no papel como muitas; eu, ainda assim, não deixarei de fazer o bem e de retribuir nem que seja um simples gesto, só para ver no rosto de alguém um belo sorriso de alegria.

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