
Uma enfadonha manhã de domingo, o meu corpo arrastando-se pelo cansaço agora ruma outra vez à mesma programação de afazeres substituíveis e desimportantes de cada dia. As lembranças de mais um longo e desnecessário final de semana saturado por tarefas cuja função resume-se em passar o tempo. E o inverno, infelizmente acaba. A neblina se vai e então, nada muda, em verdade, nada nunca mudou.
O tempo que exerce influência sobre os meus pensamentos, a alma que anseia desesperadamente por cura, mas apesar disso, não há fluência alguma. Tudo continua fora do lugar, é apenas como se eu estivesse perdido num eterno sonho ou então, apoiado em anseios degenerados. E em cada nova face uma memória diferente, mas bem lá no fundo, são todas iguais.

Os passos quietos pelos cômodos da casa levam o peso da tristeza a lugar algum. Não obstante, nem as novas amizades, por entre as rachaduras do coração, dão fim a esta história. Entre suspiros, agora ainda mais esperançoso, começo a rabiscar pela primeira vez estas cartas e retratar aqui este sentimento nobre e sincero. Esse fim é certo, nem que seja só para passar o tempo; encontrar o momento. O fim existe, por mais que seja triste, ele, enfim, chega nesta monótona, mas, graciosa tarde de domingo.
(...) E você o que tem feito da vida? (...)